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Te vi reluzindo ao sol, na mesma hora que você me viu, e -crash!- nossos olhos se encontraram como numa batida de carros.
Então você sorriu. Nem foi pra mim, mas você sorriu e eu fiquei muda. Grave, grave. Você sabe que é grave quando um sorriso emudece. E eu emudeci.

Tudo muito rápido. Olhares, beijos, mãos. Gosto de chimarrão, calor no peito, frio na barriga. Bocas. Mãos nos seios, pele macia. Vamos? E fomos. Fazia tempo que eu não caminhava nas nuvens, menino.

Sorrisos. Sorrisos são sempre o que fode. Eu sei, não é sonoro, mas é que sorrisos... Sorrisos são sempre o que fode.

Tudo muito rápido. Abraços, beijos, tua cabeça no meu colo. O tempo nos atropelando, tic-tac-tic-tac, um minuto, um segundo, dez anos. Cinco horas. Saí sem olhar pra trás. Eu precisava ir.

Tudo muito rápido, a água jorrando no meu rosto, e eu, sem dormir, pensando quando? Olheiras. Boca seca. Janela ou corredor? Janela. Motores me ensurdecendo. Lagriminhas, sono. Vazio enorme.

Vento que gela os ossos, adormece o corpo, faz voar meu cabelo molhado. Vento que faz todo o calor escapar por entre os fios de lã. Vento que me leva para o lado oposto ao que eu gostaria de ir. Não há de ser nada: o mundo é redondo, e se tiver que ser, será. Nem que eu faça a volta e chegue pelo outro lado. Se tiver que ser, vou voltar para o menino lindo, de dentes brancos e olhos que viram vírgulas quando ele sorri. Ele? Você.

Só tenho uma foto. Uma fotinho desfocada, sem gosto e sem cheiro. Mas ainda assim, uma foto sua. Uma foto sua, mas ainda assim, só uma foto. Quase nada.

Vento que gela os ossos.

Te procuro sabendo que não vou achar, que é em vão. Você é você, e você está fuckin' longe. Nada a fazer. Absolutamente nada. É inquietante não saber onde você está. Ondinhas dentro de mim, suspiro. Domada!

Sobra a bagunça. Continuo flutuando, atordoada, confusa, afogando em dúvidas, flertando com o nada.
Tudo muito rápido. Sorrisos. Quanto mais me debato, mais me enrosco na rede de feelings.

Dizem que passa, e é isso que me preocupa. Passam-se os dias, as noites, uma, duas, três. Tudo vai desbotando, e mais cedo ou mais tarde teremos sido apagados um do outro. Não quero! Não sou uma estampa barata em uma camiseta vagabunda! Tampouco quero te esquecer, tua voz, teu sorriso - sorrisos são sempre o que fode -, das horas-anos, de você fulminando-me ao sol, à sombra, à noite. Não vou te deixar sumir assim.

Subitamente, lembro de tudo, em flashes, como fotos, e posso te sentir, mãos, boca, pele. Sinto, vejo, quase posso te tocar.

É guri, estou completamente fodida por você.


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Comments

The following comments are for "Hoy, gaucho! Você está ai?"
by Pagu





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